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Trocas Inteligentes recebe o Ecossistema da Moda Sustentável do RS

O ecossistema criativo da moda teve participação no evento Trocas Inteligentes, promovido pela BPW (Business Professional Women) Porto Alegre, que é uma organização não governamental cujo principal pilar é o emponderamento feminino através da inclusão da mulher no mercado de trabalho. O evento, que aconteceu no dia do meio ambiente, reuniu marcas de moda, pesquisadoras, empreendedoras com o objetivo de trazer a discussão sobre moda e sustentabilidade tendo como foco o consumo consciente.

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Foto: Layla Zagne

Para discutir essas questões foi realizada uma roda de conversa com Cacá Camargo, membro do ecossistema, doutoranda em design pela UFRGS e professora na Unisinos; Janine Ledur, membro do ecossistema, mestranda em design e docente e coordenadora em moda no Senac Canoas; Karine Freire, membro do ecossistema, doutora em design e docente e coordenadora do PPG em design da Unisinos; Natália Guasso, graduada em publicidade e idealizadora do Brick de Desapegos; Patrícia Rocha, mestre em comunicação e editora da revista Donna; e a mediação foi feita por Tati Casser, jornalista e idealizadora do Circulamoda.

A primeira rodada de perguntas elucidou o que é moda sustentável, as palestrantes falaram sobre a importância de entender que moda sustentável não está ligada somente ao meio ambiente, é preciso pensar também nas dimensões econômico, social e cultural. Para falar desse assunto, a Cacá trouxe um dado do Greenpeace de 2017 que diz que nos EUA 80% das roupas produzidas são descartadas em aterros sanitários, gerando grandes impactos ambientais que afetam diretamente a sociedade. Esses dados refletem também a falta de conexão do produto com o consumidor. Para que o produto tenha um ciclo de vida maior é necessário que ele tenha um significado para o consumidor, que seja culturalmente aceito.

Um segundo ponto foi sobre o papel do consumidor como agente de mudança, pois, no momento da compra, automaticamente apoiamos a marca que consumimos. Por isso, a relevância da reflexão nesse momento, questionar a origem das nossas roupas, por quem são feitas e em que condições. Antes disso, pensar também se precisamos daquele produto, como disse a Natália, a roupa mais sustentável é aquela que já existe, assim cabe a nós refletirmos a necessidade de consumir e produzir desenfreadamente.

Uma reflexão muito pertinente trazida pela Tati foi sobre a moda sustentável ainda atuar dentro de uma bolha, ou seja, dentro de pequenos nichos com um público específico. A Patrícia falou sobre a importância da imprensa nesse sentido, que através dela é possível divulgar as novas iniciativas voltadas pra sustentabilidade. Ressaltou também que além de chamar as pessoas pela conscientização é preciso chamar também pelo desejo, as marcas têm que ter um diálogo com os clientes. Uma das razões para o consumo sustentável permanecer em um nicho, é o preço elevado dos produtos. A Karine trouxe a questão falando que muitas vezes esse preço se dá devido à baixa escala de produção, mas independente disso, é um custo que não está escondido, na maioria das vezes ele se justifica pela qualidade do produto e valorização dos funcionários. Buscando uma alternativa para diminuir esses custos, a Janine falou sobre os coletivos de marcas, que são uma forma de reduzir custos para pequenas empresas além de ser uma possibilidade de ter um espaço físico com maior aproveitamento, mais sustentável.

Para concluir, a Janine e a Karine trouxeram a questão de como aproximar a indústria do consumidor, para que assim o varejo compre de produções locais de forma a fomentar a moda no estado. O desafio nesse caso é promover esse diálogo de forma a criar valores sustentáveis para o consumidor, indústria e varejo. A partir dessas reflexões, durante o evento, a BPW Porto Alegre lançou uma comissão de moda sustentável com o objetivo de desenvolver projetos para área.

A moda sustentável tem um longo caminho a percorrer, desconstruir paradigmas e criar valores para sustentabilidade. É importante admitir que a sustentabilidade é um caminho, não existe um produto totalmente sustentável, o que existe na verdade são muitas questões ainda sem respostas. É um assunto emergente, entretanto é preciso dar um passo de cada vez, e o começo é entender o contexto em que estamos inseridos para construirmos uma base sólida de forma a fomentar o nosso entorno.

Autora: Thaís Menna – Membro do Ecossistema Criativo da Moda Sustentável do RS

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